Minhas aulas de encadernação artesanal - Parte 1
Até o começo desse ano, eu tive aulas de encadernação artesanal na faculdade. Era algo que eu sempre quis aprender, então as minhas expectativas em cima dessa matéria foram altas. E realmente, aprendi muito, mas em se tratando de alguma atividade manual, nem sempre é fácil e não são só flores, e preciso ressaltar os pontos positivos desse processo:
Pontos positivos
Apesar de não aprender todas as encadernações existentes (o que seria meio impossível de acontecer em apenas quatro meses de aula uma vez por semana), aprendi muitas técnicas, as mais tradicionais e muitas delas importantes, e sem dúvida aprendi alguns passos que podem nos ajudar caso eu queira tentar alguma outra técnica futuramente. Além disso, aprendemos como utilizar diversos materiais diferentes nas capas, como vou mostrar adiante.
Pontos negativos
Os prazos eram bastante apertados (em algumas semanas, era preciso entregar três caderninhos ensinados na anterior!) e o acesso ao material era limitado (ficava no ateliê na faculdade, que nem sempre estava aberto pra poder usar o material ou pegá-lo pra usar em casa. Isso sem contar que havia outras matérias e outros trabalhos, além de compromissos na vida fora da faculdade.
Agora vou mostrar os cadernos que fiz e dar alguns detalhes de cada um. Lembrando que todos eles são no tamanho A6 (que é um A4 comum dividido por 4):
Esse é revestido em papel de revista, e dentro (o miolo) é em papel ofício azul. É uma costura bem simples, apenas folhas dobradas ao meio e costuradas. Eu simplesmente amo essa capa, mesmo esse sendo um dos cadernos mais modestos.
Esse tem a capa flexível e é feito também com o papel canson, só que marmorizado, que cada um fez o seu! É uma experiência trabalhosa, mas bem divertida. E o efeito fica incrível. Ele tem orelha e o miolo resolvi colocar com papel ofício verde, pra combinar com a capa.
Com esse caderno, começa a temporada das costuras chinesas (ou japonesas - essa origem ainda é meio confusa até pra quem ensina encadernação). Essa é a variação chamada chinesa dupla, que é semelhante à simples, só que com duas voltas da linha em cada trecho. A capa é dura, mas articulada, como é característico das capas com esse tipo de costura e revestida com tecido marmorizado, que também foi feito na aula.
Mais uma variação da costura chinesa, essa é chamada informalmente de pé de galinha, por causa de como fica se vista de cima. A capa dessa vez foi revestida com tecido, mas esse eu já tinha em casa.
A última variação da costura chinesa por aqui se chama zigzag, e é bem fácil notar porque. Foi revestida em tecido liso e era obrigatório que tivesse algum adereço revestido em resina epoxi (também conhecida como vidro líquido), que dá um alto relevo e fica transparente. Na verdade, eu desejava que isso não fosse necessário.
Essa é a encadernação belga, uma das mais trabalhosas, mas o resultado é bem legal. Dá pra usar fitas de cetim em vez da linha ou usar linhas mais grossas, fica bem interessante.
A encadernação inglesa, que é a do caderno acima, é uma das mais tradicionais e a que mais vemos em livros de capa dura vendidos hoje em dia. Acho que é uma ótima opção pra dar um ar profissional ao caderno. Esse tem a capa levemente acolchoada, mas acho que a estampa do tecido disfarçou e não dá pra notar tão bem quanto pessoalmente.
Essa encadernação é uma variação da inglesa, mostrada anteriormente, porém essa tem alto relevo, que era um quesito obrigatório para o cumprimento da tarefa, assim como o adereço de vidro líquido do caderno azul-marinho. A diferença é que nesse caso, gostei bastante do resultado, já que realmente faz lembrar um envelope.
Essa é a meia encadernação (também conhecida como biblioteca) e, se não me engano, é muito usada em trabalhos acadêmicos. Eu gosto dessa paleta de cores pouco usual, me diverti procurando combinações com as poucas opções de fim de estoque de papel. A capa é revestida com papel, mas a parte roxa é texturizada manualmente, e deu trabalho conseguir algo que pudesse dar textura nele e que servisse pra colocar na prensa. Ainda bem que no fim deu certo!
A encadernação longstitch é sem dúvida uma das minhas favoritas! Ela tem muitas variações, o que torna cada caderno praticamente único. Eu amo esse tipo que deixa um pedaço da parte interna aparecendo, dá pra fazer degradê ou uma combinação de cores que tenha a ver com a capa. Essa minha foi revestida com outro tecido marmorizado que a gente fez na aula.
Bom, é isso! Vocês podem perceber que os cadernos foram mostrados numa ordem dos mais simples aos mais complexos, porque tentei deixar a ordem bem parecida com a que eu aprendi. Queria ter colocado mais fotos, com os detalhes dos cadernos, mas achei que o post já tinha ficado bem grande! De qualquer forma, pretendo fazer em breve uma segunda parte, mostrando os outros objetos que aprendi nas aulas e sobre o manual de encadernação. Então, dependendo do tamanho que esse próximo post ficar, coloco imagens lá, ou quem sabe faço um post extra mostrando só os detalhes? Não sei pra vocês, mas pra mim essa ideia parece bem mais interessante.

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